Páginas

Mostrando postagens com marcador Sérgio Vaz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sérgio Vaz. Mostrar todas as postagens

27/06/2011

Maria Fodida


Maria D’ajuda nunca soube o que era livros, mas página por página daria uma coleção de romances sujos.
De capa dura, passou a vida a ferro frio de mão em mão, mas ninguém sequer sabia se aquecia o seu coração.
De peito mole amamentou os bastardos perdidos em sua cama e desde sempre chorou este leite coalho derramado.
Puta desalmada desamou todas as almas penadas que assombraram seu colchão.
Como fodia essa fodida sem gosto pela vida. De manhã de tarde de frente de lado por trás, de tudo quanto é jeito e com tudo quanto é gente. De menino travestido de homem de homem metido a menino.
Pegou e largou tudo quanto é doença que os vermes transmitem na nota suja do dinheiro.
Por prazer se dava pela metade. Por bebida e riso falso de dava por inteiro. Por amor? Nem fodendo.
Sem filhos Maria fodida era uma puta velha filha da puta, que não admitia que era uma velha puta que o mundo sem pai, gozado e sem gozo, paria.
Não morreu de gonorreia porque usava camisinha, mas como não tinha cobertor de orelha morreu sozinha atolada numa poça funda de lama.
Uma faca de um cafetão café com leite e sem açúcar cortou a sua voz com um risco do pescoço à orelha e o sangue molhou suas palavras e esvaziou suas veias.
Mas para quem tinha sífilis na alma, o que era mais uma buceta na cara?

__________
Sérgio Vaz (poeta e fundador da Cooperifa)

20/05/2011

O Milagre da Poesia


Sou poeta,
E como poeta posso ser engenheiro
E como engenheiro
Posso construir pontes com versos
Para que pessoas possam passar sobre rios,
Ou apenas servir de abrigo aos indigentes.

Sou poeta,
E como poeta posso ser médico
E como médico
Posso fazer transplantes de coração,
Para que pessoas amem novamente,
Ou simplesmente receitar poemas
Para tristezas com alegrias
E alegrias sem satisfação.

Sou poeta,
E como poeta posso ser operário
E como operário
Posso acordar antes do sol e dar corda no dia,
E quando a noite chegar, serena e calma,
Descansar a ferramenta do corpo
No consolo da família, autopeças de minha alma.

Sou poeta,
E como poeta posso ser um assassino
E como assassino posso esfaquear os tiranos
Com o aço das minhas palavras
E disparar versos de grosso calibre na cabeça da multidão
Sem me preocupar com padre, juiz ou prisão.

Sou poeta,
E como poeta posso ser Jesus
E como Jesus
Posso descrucificar-me,
E sem os pregos nas mãos e os fanáticos nos pés
Andar livremente sobre terra e mar
Recitando poesia em vez de sermão.

Onde não tiver milagres
Ensinar o pão
Onde faltar a palavra
Repartir a ação.

__________
Sérgio Vaz (poeta e fundador da Cooperifa)